quinta-feira, 24 de julho de 2008

Lembrar quem está...não estando

Palavras ditas por outrém
Guardo o teu nome com ternura
Guardo a infancia
Guardo a poesia de passear contigo
Guardo o sangue com que nasci
Guardo as bandeiras que ergueste
balizando meu caminho torto
Guardo tudo quanto me trouxeste à vida
como quem guarda o mar dentro do peito.

domingo, 20 de julho de 2008

Dias de boas-vindas a um nascituro

CREEMOS EL HOMBRE NUEVO

Creemos el hombre nuevo,
cantando.

El hombre nuevo del mundo,
cantando.

Canto esta noche de estrellas
en que estoy solo,desterrado.

Pero en la tierra no hay nadie
que esté solo si está cantando.

Al árbol lo acompañam las hojas,
y si está seco,ya no es árbol.

Al pájaro,al viento,las nubes,
y si está mudo ya no es pájaro.

Al mar lo acompañam las olas
y su canto alegre los barcos.

Al fuego,la llama,las chispas
y hasta las sombras cuando es alto.

Nada hay solitario en la tierra.
Creemos al hombre nuevo cantando.

(Rafael Alberti - Puerto de Santa María)

Com este poema convoco,o estar-viver cantando,de sua(do nascituro)bisavó PATERNA -uma " flor linda" - que murchou quando o amor se lhe acabou e,a dor lhe calou as cantigas que trauteava em louvor à vida,ao amor.
E,nesta galeria feminina,de "não antónias",não pode ser esquecida a admirável força serena de uma brava tia bisabuela,do nascituro António, que cantava canções da sua Galicia em terras ásperas do Douro.
Lembro,ainda,a doce e terna guardiã de memórias e lugares,anjo da guarda dos Queiroz,agora e sempre - a tia avó Antonieta.
Para o nascituro António Vitorino, aqui deixo uma pequena galeria de figuras femininas fundadoras e estruturantes.

sábado, 19 de julho de 2008

solilóquio ao pé do berço

Cruzaste
a porta do tempo.
Sem resplendores (chegaste)
de sol ferindo o levante,
fulges-me aos olhos - cristal
entre o sonho e a relembrança
do que não sou,do que fui.

Perante a paz do teu sono,
dentro de mim se desfralda
um jeito novo de amar.


(poema de Thiago de Mello)


Estas palavras, de presente e memória, são dedicadas ao avô Manuel e ao seu neto António.

domingo, 6 de julho de 2008

Dia de aniversário

Pombas brancas
Que voam altas
Riscando as sombras
Das nuvens altas
... ... ...

Trazem dentro
Das asas prendas
Nos bicos rosas
Nuvens desfeitas
No mar
Pombas do meu cantar
(de uma canção de José Afonso)



Muito longe dos meus olhos, mas dentro do coração,
estão os que amo com um amor forte e profundo.
No silêncio deste recanto da cidade agitada oiço e imagino a alegria vivida na casa plantada num lindo jardim entre lava e oceano.
É este o único estar possível - fechar os olhos e ver,abrir os braços e abraçar.
Amanhã o imaginado estará mais próximo do real.Verei os vídeos e ouvirei os relatos.
Feliz dia de aniversário,minha linda e doce princesa.