sábado, 16 de agosto de 2008

Poema de Drummond de Andrade

A porta da verdade estava aberta
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil da sua meia verdade.
E a sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis coincidiam.

Arrebentaram a porta.Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia sem fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir
qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar.Cada um optou conforme
seu capricho,sua ilusão,sua miopia.

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