Vivo numa zona tranquila com espaços verdes e árvores. Rodeiam-me moradias de linhas sóbrias e jardins cuidados. Uma dessas casas tem um portão que "guincha" e nos dá a ilusão de estarmos num outro lugar que não esta buliçosa cidade de Lisboa. Hoje tudo me foi roubado! A maioria das casas ficaram desertas. As luzes apagadas,os portões das garagens fechados...Ao longe,no cimo de uma pequena colina(diria o Tomás),uma tenda gigantesca alberga,dizem,um mar de gente que está a ouvir música!? Eu,e outros como eu, apesar da distância, ainda não conseguimos dormir ou ler...A vontade de quem não partiu para fim de semana é, num sopro de magia, empurrar para o deserto este flagelo que dizem ser música. Será,mas não para mim e tão pouco para os avisados vizinhos que debandaram para paragens onde o silencio é possível.O silêncio que nos deixa ler,pensar,conversar,ouvir música...E,senhores do ambiente,senhores da saúde,se às 4horas da madrugada ainda os décibeis ultrapassam o máximo do suportável,como fica a nossa saúde mental,auditiva e os nossos reflexos numa condução responsável? Anunciam-se 4 dias semelhantes! Não há ninguém que estabeleça regras? Este será o local adequado? Muitos dos prédios próximos até são habitados por pessoas idosas. As pessoas "atingidas" não têm a mais pequena identificação com este género músical.
Quem nos acode e leva este flagelo para um descampado?
A bem da saúde pública de centenas de pacíficos cidadãos?
Ajuda precisa-se. Ideias concretizadas para o próximo ano PRECISAM-SE.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
domingo, 25 de maio de 2008
Cure de jouvence
Que enorme prazer encontrar velhos amigos no blog do FJV!
E se os primeiros sao companheiros de sempre,os outros levaram-me aos aos tempos das danças da juventude.
Aguardo,dele ou de outros mais "remenbers".
E se os primeiros sao companheiros de sempre,os outros levaram-me aos aos tempos das danças da juventude.
Aguardo,dele ou de outros mais "remenbers".
As ausencias sem regresso
Como nasce um voo de pássaro,
súbito e simples,nascem também
as pontes do coração
entre as criaturas humanas.
Nem sabem que vão nascer
Nascem as pontes e se alçam,
certeiras de seus destinos
como as águias de seus rumos
- e se vao levando alvuras,
aconchegos,mansidões:
pontes de amor sobre um mundo
já quase alheio a milagres,
como um voo de alvas asas
contra o azul já quase anoitecendo.
Por mais que muitas desabem
(acaso por desamadas),
embora tantas se calem
(talvez porque recusadas)
mesmo que muitas se percam
depois de perdido o poiso,
- nenhuma ponte de amor
se estende jamais em vão.
Pois algo sempre perdura
de tudo que a ela deu rumo:
seja um resto de recado,
leve lembrança de alvura,
ou seja apenas a sombra
de uma ternura.Pois algo
das pontes- feitas de infancia
e de amor sempre perdura.
Como,contra o sol. o voo
de um pássaro cuja sombra
se projecta e vai cavando,
bem de suave,um rasto eterno,
no manso verde do amor.
Thiago de Mello (adaptado)
súbito e simples,nascem também
as pontes do coração
entre as criaturas humanas.
Nem sabem que vão nascer
Nascem as pontes e se alçam,
certeiras de seus destinos
como as águias de seus rumos
- e se vao levando alvuras,
aconchegos,mansidões:
pontes de amor sobre um mundo
já quase alheio a milagres,
como um voo de alvas asas
contra o azul já quase anoitecendo.
Por mais que muitas desabem
(acaso por desamadas),
embora tantas se calem
(talvez porque recusadas)
mesmo que muitas se percam
depois de perdido o poiso,
- nenhuma ponte de amor
se estende jamais em vão.
Pois algo sempre perdura
de tudo que a ela deu rumo:
seja um resto de recado,
leve lembrança de alvura,
ou seja apenas a sombra
de uma ternura.Pois algo
das pontes- feitas de infancia
e de amor sempre perdura.
Como,contra o sol. o voo
de um pássaro cuja sombra
se projecta e vai cavando,
bem de suave,um rasto eterno,
no manso verde do amor.
Thiago de Mello (adaptado)
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Em Salónica conheço alguém que me lê.
E em Bad Nauhein.
Já são dois.
(Gunter Eich)
De pequenos e doces gestos,de pequenos e repetidos rituais é assim iniciado o novo dia.
E todos os dias,ao abrir a janela do quarto,a vida entra por ela.Em tons de verde esperança.Verde vivo e brilhante,em alguns dias,verde cinza e baço,noutros dias.Mas é sempre vida à espera de ser vivida.E assim,com os ramos da minha árvore,começo o dia.
E em Bad Nauhein.
Já são dois.
(Gunter Eich)
De pequenos e doces gestos,de pequenos e repetidos rituais é assim iniciado o novo dia.
E todos os dias,ao abrir a janela do quarto,a vida entra por ela.Em tons de verde esperança.Verde vivo e brilhante,em alguns dias,verde cinza e baço,noutros dias.Mas é sempre vida à espera de ser vivida.E assim,com os ramos da minha árvore,começo o dia.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Para o Tomás
Meditação no reino do dinossauro azul...
Amanheceu para todos
para as árvores da rua,
para o mar visto das janelas abertas,
para o homem que passa com cara de sono,
para os pássaros namorando nas árvores do jardim,
para a mulher que abre a janela e deixa a esperança entrar.
Aqui, além, ali...
a manhã vai derramando a alegria de viver,
vai derramando a vontade de cantar.
A manhã é claridade
e nela está o menino
que me leva pela mão.
Olha! Estou aí!
Ao teu lado.
Além, vês?
Olha quem está...
Um dinossauro azul!!!
Amanheceu para todos
para as árvores da rua,
para o mar visto das janelas abertas,
para o homem que passa com cara de sono,
para os pássaros namorando nas árvores do jardim,
para a mulher que abre a janela e deixa a esperança entrar.
Aqui, além, ali...
a manhã vai derramando a alegria de viver,
vai derramando a vontade de cantar.
A manhã é claridade
e nela está o menino
que me leva pela mão.
Olha! Estou aí!
Ao teu lado.
Além, vês?
Olha quem está...
Um dinossauro azul!!!
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Prefácio a um novo blogue: "ANTIGONA BLUES"
De Antigona A. ( A. de antiga, clássica, filha de Atenas....) a ...Antigona B. ( B. de "blues" .... ) vão imensas distâncias : a distância do tempo, a distância do lugar, a distância do "discurso", a distância do "espírito":
Antigona A. é a Antigona que afronta os deuses e as leis injustas dos homens _ um clássico imortal que, da antiga Grécia, ficou para sempre, no passado, no presente e no futuro _ esta é a Antigona que, "avant la lettre", antecipou o Camus do "Mito de Sísifo";
Antigona B. , é uma versão "moderna" (?) , "post-moderna" (?) , "contemporânea" (? de quem?, de quê? que "blues"?
Da Grécia ao jazz, de tudo um pouco passará por este blogue, que será também um "blogue secreto", com várias "marcas d'água" ... Mas, sempre do lado de Antigona...umas vezes "Antigona A.", outras vezes "Antigona B."...
Humilde prefaciador deste blogue, evoco François Villon e, com as suas palavras emprestadas , envio a minha fraternal saudação aos "meus irmãos humanos " que, um dia ou outro, passem os olhos pelas palavras e pelas imagens deste "ANTIGONA BLUES" :
Frères humains, qui après nous vivez,N'ayez les coeurs contre nous endurcis,Car, si pitié de nous pauvres avez,Dieu en aura plus tôt de vous mercis.Vous nous voyez ci attachés, cinq, six :Quant à la chair, que trop avons nourrie,Elle est piéça dévorée et pourrie,Et nous, les os, devenons cendre et poudre. De notre mal personne ne s'en rie ;Mais priez Dieu que tous nous veuille absoudre !Se frères vous clamons, pas n'en devezAvoir dédain, quoique fûmes occisPar justice. Toutefois, vous savezQue tous hommes n'ont pas bon sens rassis.Excusez-nous, puisque sommes transis,Envers le fils de la Vierge Marie,Que sa grâce ne soit pour nous tarie,Nous préservant de l'infernale foudre.Nous sommes morts, âme ne nous harie,Mais priez Dieu que tous nous veuille absoudre !La pluie nous a débués et lavés,Et le soleil desséchés et noircis.Pies, corbeaux nous ont les yeux cavés,Et arraché la barbe et les sourcils.Jamais nul temps nous ne sommes assisPuis çà, puis là, comme le vent varie,A son plaisir sans cesser nous charrie,Plus becquetés d'oiseaux que dés à coudre. Ne soyez donc de notre confrérie ;Mais priez Dieu que tous nous veuille absoudre !Prince Jésus, qui sur tous a maistrie,Garde qu'Enfer n'ait de nous seigneurie :A lui n'ayons que faire ne que soudre.Hommes, ici n'a point de moquerie ;Mais priez Dieu que tous nous veuille absoudre !
François VILLON (1431-1489?)
Antigona A. é a Antigona que afronta os deuses e as leis injustas dos homens _ um clássico imortal que, da antiga Grécia, ficou para sempre, no passado, no presente e no futuro _ esta é a Antigona que, "avant la lettre", antecipou o Camus do "Mito de Sísifo";
Antigona B. , é uma versão "moderna" (?) , "post-moderna" (?) , "contemporânea" (? de quem?, de quê? que "blues"?
Da Grécia ao jazz, de tudo um pouco passará por este blogue, que será também um "blogue secreto", com várias "marcas d'água" ... Mas, sempre do lado de Antigona...umas vezes "Antigona A.", outras vezes "Antigona B."...
Humilde prefaciador deste blogue, evoco François Villon e, com as suas palavras emprestadas , envio a minha fraternal saudação aos "meus irmãos humanos " que, um dia ou outro, passem os olhos pelas palavras e pelas imagens deste "ANTIGONA BLUES" :
Frères humains, qui après nous vivez,N'ayez les coeurs contre nous endurcis,Car, si pitié de nous pauvres avez,Dieu en aura plus tôt de vous mercis.Vous nous voyez ci attachés, cinq, six :Quant à la chair, que trop avons nourrie,Elle est piéça dévorée et pourrie,Et nous, les os, devenons cendre et poudre. De notre mal personne ne s'en rie ;Mais priez Dieu que tous nous veuille absoudre !Se frères vous clamons, pas n'en devezAvoir dédain, quoique fûmes occisPar justice. Toutefois, vous savezQue tous hommes n'ont pas bon sens rassis.Excusez-nous, puisque sommes transis,Envers le fils de la Vierge Marie,Que sa grâce ne soit pour nous tarie,Nous préservant de l'infernale foudre.Nous sommes morts, âme ne nous harie,Mais priez Dieu que tous nous veuille absoudre !La pluie nous a débués et lavés,Et le soleil desséchés et noircis.Pies, corbeaux nous ont les yeux cavés,Et arraché la barbe et les sourcils.Jamais nul temps nous ne sommes assisPuis çà, puis là, comme le vent varie,A son plaisir sans cesser nous charrie,Plus becquetés d'oiseaux que dés à coudre. Ne soyez donc de notre confrérie ;Mais priez Dieu que tous nous veuille absoudre !Prince Jésus, qui sur tous a maistrie,Garde qu'Enfer n'ait de nous seigneurie :A lui n'ayons que faire ne que soudre.Hommes, ici n'a point de moquerie ;Mais priez Dieu que tous nous veuille absoudre !
François VILLON (1431-1489?)
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