domingo, 25 de maio de 2008

As ausencias sem regresso

Como nasce um voo de pássaro,
súbito e simples,nascem também
as pontes do coração
entre as criaturas humanas.
Nem sabem que vão nascer

Nascem as pontes e se alçam,
certeiras de seus destinos
como as águias de seus rumos
- e se vao levando alvuras,
aconchegos,mansidões:
pontes de amor sobre um mundo
já quase alheio a milagres,
como um voo de alvas asas
contra o azul já quase anoitecendo.

Por mais que muitas desabem
(acaso por desamadas),
embora tantas se calem
(talvez porque recusadas)
mesmo que muitas se percam
depois de perdido o poiso,
- nenhuma ponte de amor
se estende jamais em vão.

Pois algo sempre perdura
de tudo que a ela deu rumo:
seja um resto de recado,
leve lembrança de alvura,
ou seja apenas a sombra
de uma ternura.Pois algo
das pontes- feitas de infancia
e de amor sempre perdura.

Como,contra o sol. o voo
de um pássaro cuja sombra
se projecta e vai cavando,
bem de suave,um rasto eterno,
no manso verde do amor.

Thiago de Mello (adaptado)

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