sábado, 18 de outubro de 2008

Saudades de Compostela

A São Tiago não irei
Como turista.Irei
- se puder - como peregrino
Tocarei a pedra e rezarei
Os padres nossos da conta como um campesino

..........................................

Assim pudesse o poema
Ter doçura de trigo
O seu brilho polido
A mesma humildade

Assim pudesse o poema
Como a pedra esculpida
Do pórtico antigo
Ter em si próprio a mesma
Compacta alegria
Cereal claridade

Ante o voo da ave
Do espírito que ergue
Os pilares da nave


Sophia

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Neruda em prosa

"A poesia tem comunicação directa com o sofrimento do homem"


"... há dias que são espaços preparados para que tudo doa"

memória - dia 16 Out

Devias saber
que é sempre tarde
que se nasce,que é
sempre cedo
que se morre.E devias
saber também
que nenhuma árvore
é lícito escolher
o ramo onde aves
fazem vinho e as flores
procriam.

(Alb. Martins)

sábado, 11 de outubro de 2008

reflexão e memórias

"...Só a imaginação transforma,transfigura e remodela a face do mundo"

(Eduardo Lourenço)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Hoje é um dia de um Outono sem chuva.No céu azul brilha um sol de luz intensa...
aqui, no lugar onde estou.Noutros lugares a realidade será outra.Quantas vidas
espalhadas por esta Terra tão imensa e variada serão hoje tocadas por um qual-
quer acontecimento que recordarão por muitos anos!Quantas vidas viverão mais um dia
sem história e sem memória!Quantas outras vidas recusarão aquela que lhes foi dada!
Quantas vidas hoje iniciarão o seu ciclo na Terra!
Para todos os que podem e querem celebrar os rituais do início e da continuação,um
aviso - lembrem,com gratidão e alegria, os que viveram e foram "guias",os que pas-
saram e foram companheiros,os que estão e são o "agora", aqueles que são o futuro.
PARABÉNS a qem,hoje,celebra mais um rito de passagem.Que o faça muitos anos
com lucidez e vitalidade.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Poema para Outubro -8

Palmeiras geometria
São meu alimento
Secura silêncio
São minha bebida
E a infinita ausência
É a minha vida
A funda a secreta
Com sabor a pedra
E o perfume de vento

(Sophia)

Poemas para Outubro -7

Firmamento

A noite é uma tatuagem de estrelas
As linhas correm por entre os astros
E traçam o mapa do labirinto

Linhas escuras e sigilosas
Nelas deciframos as manchas
Do alfange de prata
A noite fecha as pálpebras

(Miguel Ángel Flores)

Poemas para Outubro -6

Confiança

O que é bonito neste mundo,e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura...
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova...

(Torga)

Poemas para Outubro -5

As ilhas sabem a mar
E encostam no cais dos teus olhos
Como se te chamassem,como se te fotografassem.
As ilhas são uma frota de barcos pretos
E
São de guardar como os segredos.
...

(Mariana Matos)

Poemas para Outubro - 4

Com palavras me ergo cada dia!
Com palavras lavo,nas manhãs,o rosto
e saio para a rua.
Com palavras -inaudíveis- grito.

Ah!,de palavras estamos todos cheios.
Possuímos arquivos,sabemo-las de cor
em quatro ou cinco línguas.
Tomamo-las à noite em comprimidos
para dormir o cansaço.

Possuímos,das palavras,as mais belas
as que seivam o amor,a liberdade...
Engulo-as perguntando-me se um dia
as poderei navegar;se alguma vez
dilatarei o pulmão que as encerra.

Atravessa-nos um rio de palavras:
com elas eu me deito,me levanto,
e faltam-me palavras para contar...

(Egito Gonçalves)

Poemas para Outubro -3

o templo está fechado para quem não
conhece a entrada.Mas as suas portas
são o céu,e as mãos que afastam o vestido
como se abrissem nuvens
sabem por onde se entra.

(Nuno Júdice)

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Poemas para Outubro -2

Pousei as minhas mãos
num rosto e retirei-as
ferida pelo amor.

(Gamoneda)

Poemas para Outubro -1

J'ai les portes du froid
Les portes de mon amerture
Pour venir embrasser tes lèvres

Ville réduite à notre chambre
Où l'absurde marée du mal
Laisse une rassurante

Anneau de paix je n'ai que toi
Tu me réaprends ce que c'est
Qu'un être humain que je rennonce
A savoir si j'ai des semblables

(P.Claudel)

Poemas para Outubro -1

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Receita de outros tempos

Bacalhau à tia Chica

Parte-se uma cebola grande,picada para um tacho com bastante azeite.Aloura-se,sem deixar queimar.Deitam-se-lhe,em seguida, três postas de bacalhau,demolhado e desfiado.
Refoga-se um bocado,junta-se,depois,meia colher,das de sopa,de margarina e logo a
seguir ,um copo de leite.Ferve bem.
Fora do lume,dissolve-se em 1/4 de copo de leite,uma gema.Deita-se no bacalhau e ferve um pouco.Põe-se agora o bacalhau no fundo de um "pyrex".
Preparou-se um puré de batatas com duas gemas.Faz-se passar este puré pelo saco com funil e vai-se deixando cair sobre o "pyrex" que tem o bacalhau,dando-lhes formas caprichosas.
Vai ao forno a tostar.

(está conforme foi escrita e pontuada nos anos 50...do séc.xx)

Poesia para um dia de outono

"Entre vento e navalha escolho o vento
entre verde e vermelho aquele azul
que até na morte servirá de espelho
ao vento que por dentro me deslumbra
..."

David Mourão Ferreira

Encontros/desencontros

Conhecer alguém aqui e ali que pensa e sente como nós,e que embora distante,está perto em espírito,eis o que faz da Terra um jardim habitado.

(Goethe)

Sonhos

Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem garanta que nem todas,
só as de verão.
No fundo isso não tem importãncia.
o que interessa mesmo
não são as noites em si,
são os sonhos.
Sonhos que o homem sonha sempre.
Em todos os lugares,
em todas as épocas do ano,
dormindo ou acordado.

(Shakespeare)

sábado, 16 de agosto de 2008

Calderón de la Barca

...Qué es la vida?Un frnesí.
Qué es la vida?Una ilusón,
Una sombra,una ficción,
Y el mayor bien es pequeño;
Que toda la vida es sueño,
Y los sueños,sueños son.
...
Él corázon es una riqueza que no se vende ni se compra,solamente se regala.

De un frances pero leídi en castellano

Poema de Drummond de Andrade

A porta da verdade estava aberta
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil da sua meia verdade.
E a sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis coincidiam.

Arrebentaram a porta.Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia sem fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir
qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar.Cada um optou conforme
seu capricho,sua ilusão,sua miopia.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Salada de verão

Atum
Milho cozido
Queijo fresco
Tomates
Azeitonas
Ovos cozidos
Oregãos
Cebolinho
Maionese

Juntar todos os ingredientes partidos aos bocadinhos e envolver com a maionese.
Polvilhar com cebolinho e oregãos.

(receita dedicada aos cozinheiros de serviço nos dias de verão)

Reflexão




Não sou vitória ou uma derrota,
mas me conquisto cada dia,
... ...
Nem um profundo mar,nem uma superfície
nem vento ou pedra:leve na existência,
balanço entre as montanhas e a planície
com asa no sentir,... ...

(Lupe Cotrim)

Para a Ana -( dia 1deAgosto )

Os milagres acontecem
a horas incertas
e nunca estou em casa
quando o carteiro passa.

Hoje abriu uma flor
e eu disse é meu sinal.
Olho em volta:estou só
trago esta sombra comigo.


(A.P.Inácio)

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Lembrar quem está...não estando

Palavras ditas por outrém
Guardo o teu nome com ternura
Guardo a infancia
Guardo a poesia de passear contigo
Guardo o sangue com que nasci
Guardo as bandeiras que ergueste
balizando meu caminho torto
Guardo tudo quanto me trouxeste à vida
como quem guarda o mar dentro do peito.

domingo, 20 de julho de 2008

Dias de boas-vindas a um nascituro

CREEMOS EL HOMBRE NUEVO

Creemos el hombre nuevo,
cantando.

El hombre nuevo del mundo,
cantando.

Canto esta noche de estrellas
en que estoy solo,desterrado.

Pero en la tierra no hay nadie
que esté solo si está cantando.

Al árbol lo acompañam las hojas,
y si está seco,ya no es árbol.

Al pájaro,al viento,las nubes,
y si está mudo ya no es pájaro.

Al mar lo acompañam las olas
y su canto alegre los barcos.

Al fuego,la llama,las chispas
y hasta las sombras cuando es alto.

Nada hay solitario en la tierra.
Creemos al hombre nuevo cantando.

(Rafael Alberti - Puerto de Santa María)

Com este poema convoco,o estar-viver cantando,de sua(do nascituro)bisavó PATERNA -uma " flor linda" - que murchou quando o amor se lhe acabou e,a dor lhe calou as cantigas que trauteava em louvor à vida,ao amor.
E,nesta galeria feminina,de "não antónias",não pode ser esquecida a admirável força serena de uma brava tia bisabuela,do nascituro António, que cantava canções da sua Galicia em terras ásperas do Douro.
Lembro,ainda,a doce e terna guardiã de memórias e lugares,anjo da guarda dos Queiroz,agora e sempre - a tia avó Antonieta.
Para o nascituro António Vitorino, aqui deixo uma pequena galeria de figuras femininas fundadoras e estruturantes.

sábado, 19 de julho de 2008

solilóquio ao pé do berço

Cruzaste
a porta do tempo.
Sem resplendores (chegaste)
de sol ferindo o levante,
fulges-me aos olhos - cristal
entre o sonho e a relembrança
do que não sou,do que fui.

Perante a paz do teu sono,
dentro de mim se desfralda
um jeito novo de amar.


(poema de Thiago de Mello)


Estas palavras, de presente e memória, são dedicadas ao avô Manuel e ao seu neto António.

domingo, 6 de julho de 2008

Dia de aniversário

Pombas brancas
Que voam altas
Riscando as sombras
Das nuvens altas
... ... ...

Trazem dentro
Das asas prendas
Nos bicos rosas
Nuvens desfeitas
No mar
Pombas do meu cantar
(de uma canção de José Afonso)



Muito longe dos meus olhos, mas dentro do coração,
estão os que amo com um amor forte e profundo.
No silêncio deste recanto da cidade agitada oiço e imagino a alegria vivida na casa plantada num lindo jardim entre lava e oceano.
É este o único estar possível - fechar os olhos e ver,abrir os braços e abraçar.
Amanhã o imaginado estará mais próximo do real.Verei os vídeos e ouvirei os relatos.
Feliz dia de aniversário,minha linda e doce princesa.

domingo, 22 de junho de 2008

Sem imagens, sem videos, sem Lelouch...

... apenas com a força das palavras e das ideias com elas (re)construidas...

Regresso a este sitio

Uma vintena de dias passados,aqui estou,de novo.

O que me fez parar não vem ao caso(agora).

O que me motivou foram as palavras de Paul Valéry (Cahiers).

"Je vais avoir soixante-seize ans.
Que faire de tout ce passé?
- Que faire d'un passé?
Mais tu le sais bien! Des phrases!"

O meu olhar antecipa um futuro que já não será meu presente e que muito me preocupa.Tantos daqueles que me deram momentos de tão intensa felicidade cá estarão para viverem,certamente,tempos difíceis. A minha geração foi aquela que sonhou um mundo melhor e que não o soube construir. E não penso só em Portugal ... a França ...
a Inglaterra ... os Estados Unidos ... "vemos,ouvimos e lemos,não podemos ignorar" o que se passa à nossa volta.
Os problema em todos os sectores da vida dos cidadãos e do planeta são imensos e graves. Todos os dias há notícias de mais uma catástrofe,de mais agravamento disto ou daquilo e quando há pontuais respostas a algumas situações lá vem o lado negro associado (a arca de zoé,por exemplo).
Neste momento apavora-me o que se está a passar na África... a fome,a corrupção,a chacina de indivíduos e de comunidades,as ostensivas e provocatórias atitudes daqueles que têm poder e para quem vale tudo.
Decididamente este é o melhor dia para retomar as minhas notas!

Uma nota de esperança, entre Camões e Camus, será o tema das minhas próximas mensagens!

domingo, 8 de junho de 2008

Manhã de domingo

Amanheceu cedo,muito cedo,este magnifico dia de quase verão.E neste canto silencioso ,da turbulenta cidade, apetece prolongar a manhã com gestos vagarosos e preguiçosos...começar com a leitura dos jornais de vários cantos,espreitar mais um ou outro artigo das publicações semanais.
Correr para a cozinha e fazer um pequeno almoço apetitoso acompanhada pela voz/presença de Barbara e Brel(toutjours Brel)...et ses amis.
De novo no ciberespaço visitar os blogs indispensáveis...para mim.São muitos e alguns convidam à reflexão e remetem-me para outras paragens.
Não sabem os seus autores o quanto lhes agradeço o muito que me dão e a tantos outros,estou certa disso.Quantas sms dizendo :"não percas blog x ou y"! Confesso que alguns me desagradam um pouco quando,partilhando e,apesar disso,se sente uma ponta de exibicionismo do seu bem estar e privilégios. Entendo a partilha de outra forma menos"boazinha". Adiante.
Tenho tido magníficas surpresas ao abrir os blogs da RF e FJV.

Olho lá para fora e vejo,sinto,este dia lindo. É o bulir dos ramos das velhas árvores,o canto dos
pássaros, o azul intenso do céu que me dão notícias deste domingo... e pergunto-me se vale a pena abandonar esta paz e partir para as ruas quentes e barulhentas?!

E de repente ... talvez por esta indecisão... por este vai e não vai ...que sou eu...lembrei-me

" Eu não sou eu nem sou outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro. "

( Mario de Sá-Carneiro )

sábado, 7 de junho de 2008

Filhos de Saturno - Ant.José Saraiva

"Aviso"

"A triste farsa que actualmente oferecem ao povo os nossos dirigentes partidários não seria possível se eles não tivessem a certeza da impunidade.
Sendo eles,por definição,os reperesentantes do povo,só a eles cabe julgarem-se a si mesmos.
Por isso,façam o que fizerem,ninguém os castigará pelas malfeitorias de que o país é vítima.Mas esta impunidade supõe que o sistem político instalado pelos partidos vai durar por tempo indefinido.É uma suposição que tem a seu favor a lógica e a probabilidade."

(livro publicado em 1980)

memórias de outrém

quarta-feira, 4 de junho de 2008

NÃO AQUI - Alguns Motetos ( José Bento )

Não parti,não rsgressei
não estive nunca
neste lugar.
Nem estou agora.

Tanto como hoje,
outrora estar aqui
foi conhecer
não uma terra mas o seu vazio.

A ciência dos lugares
é duvidosa e vã.
Arde a paisagem
nos olhos que a comtemplam.

Uma viagem, - como?
Os mapas traçam-se
com um sopro indelével
de sombra
e esquecimento.
" Agora não sei mais o que dizer. Era mais fácil, quando só imaginava."

( Wim Wenders )

ESQUECIMENTO - cem palavras,exactamente,para não esquecer.

- Nelson Mandela. Está preso. Porquê?
- Preto!
- Onde?
- Na África do Sul.
- Desde... ?
- Vinte cinco anos. Um terço da vida.
- Que vergonha!
- O pior será o esquecimento.
Pensará ele nessa palavra: Freedom? Pronuncia-a,andando e olhando o céu? Certamento que
não. Essa palavra já não existe. Nem na sua memória nem nas lembranças do próprio corpo.
Ele pensa metros quadrados,segundos. A ligação que cada homem estabelece com o infinito,
com a eternidade,fica reduzida.
- Kaufmann, Carton, Fontaine? Na prisão.
- Negros?
- Caucasianos!
- Desde?
-Mil dias.
- Que vergonha!
- O pior será o esquecimento!

ESQUECIMENTO - cem palavras,exactamente,para não esquecer.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Soidades de Galicia

Campanas de Bastabales,
cando vos oio tocar,
mórrome de soidades.

Cando vos oio tocar,
campaniñas,campaniñas,
sin querer torno a chorar.

Cando de lonxe vos oio,
penso que por min chamades,
e das entrañas me doio.

Dóiome de dor ferida,
que antes tiña vida inteira,
i hoxe teño media vida.
... ... ... ...

Rosalía de Castro

Salada para um domingo de preguiça

250gr de camarões de Madagáscar
2 mangas
1 cebola
200gr de várias qualidades de alface
70gr de azeitonas pretas
1dl de azeite
50ml de vinagre
louro, pimenta, sal

Descascar a cebola e a manga e cortá-las em cubos.
Lavar as alfaces e cortá-las.
Cortar as azeitonas.
Deixar ferver água com sal e 1folha de louro.Juntar os camarões e deixar ferver 1mn.
Escorrem-se e põem-se num recipiente com gelo.
Pelam-se e misturam-se com as verduras.
Faz-se um molho vinagrete e rega-se o preparado.

Bom apetite!

Marcas da vida

Era uma pessoa extraordinária,encantadora! O conformismo não existia. Guiava-se pela sua intuição,pela voz do coração, com total ausência pelas regras que, então, espartilhavam a vida das mulheres.
Tinha uma intuição notável que atraía os outros e as suas confidencias. Foi alguém que verdadeiramente amou "o outro".
Por tudo o que fez,pelo amor que a todos deu,pelo desprendimento de tudo o que eram bens terrenos,pela paz que sempre procurou...descanse em paz.

domingo, 1 de junho de 2008

Receita de bifinhos de frango ( dedicada aos pequenos)

Bifes panados com amendoa (receita para 4 pessoas)

4 bifes de frango
2 ovos
4 colheres(de sopa) de farinha
4 colheres (de sopa) de amendoas lascadas
Sal e pimenta q.b.
2/3 collheres (de sopa) de óleo
Colocar a farinha num prato e juntar o sal e a pimenta.
Abrir os ovos para um prato de sopa e bater bem.
Colocar as amendoas lascadas num outro prato.
Passar cada bife,sucessivamente,por farinha,pelos ovos e,finalmente,pelas amendoas.
Fritar no óleo quente,5minutos + ou- de cada lado.


Servem-se com salada ou puré de cenoura.

Poema de Ruy Belo para as nossas crianças

O Portugal futuro é um país
onde o puro pássaro azul é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada ...

sexta-feira, 30 de maio de 2008

rock in rio - dizem que é música

Vivo numa zona tranquila com espaços verdes e árvores. Rodeiam-me moradias de linhas sóbrias e jardins cuidados. Uma dessas casas tem um portão que "guincha" e nos dá a ilusão de estarmos num outro lugar que não esta buliçosa cidade de Lisboa. Hoje tudo me foi roubado! A maioria das casas ficaram desertas. As luzes apagadas,os portões das garagens fechados...Ao longe,no cimo de uma pequena colina(diria o Tomás),uma tenda gigantesca alberga,dizem,um mar de gente que está a ouvir música!? Eu,e outros como eu, apesar da distância, ainda não conseguimos dormir ou ler...A vontade de quem não partiu para fim de semana é, num sopro de magia, empurrar para o deserto este flagelo que dizem ser música. Será,mas não para mim e tão pouco para os avisados vizinhos que debandaram para paragens onde o silencio é possível.O silêncio que nos deixa ler,pensar,conversar,ouvir música...E,senhores do ambiente,senhores da saúde,se às 4horas da madrugada ainda os décibeis ultrapassam o máximo do suportável,como fica a nossa saúde mental,auditiva e os nossos reflexos numa condução responsável? Anunciam-se 4 dias semelhantes! Não há ninguém que estabeleça regras? Este será o local adequado? Muitos dos prédios próximos até são habitados por pessoas idosas. As pessoas "atingidas" não têm a mais pequena identificação com este género músical.



Quem nos acode e leva este flagelo para um descampado?



A bem da saúde pública de centenas de pacíficos cidadãos?



Ajuda precisa-se. Ideias concretizadas para o próximo ano PRECISAM-SE.

domingo, 25 de maio de 2008

Cure de jouvence

Que enorme prazer encontrar velhos amigos no blog do FJV!
E se os primeiros sao companheiros de sempre,os outros levaram-me aos aos tempos das danças da juventude.
Aguardo,dele ou de outros mais "remenbers".

As ausencias sem regresso

Como nasce um voo de pássaro,
súbito e simples,nascem também
as pontes do coração
entre as criaturas humanas.
Nem sabem que vão nascer

Nascem as pontes e se alçam,
certeiras de seus destinos
como as águias de seus rumos
- e se vao levando alvuras,
aconchegos,mansidões:
pontes de amor sobre um mundo
já quase alheio a milagres,
como um voo de alvas asas
contra o azul já quase anoitecendo.

Por mais que muitas desabem
(acaso por desamadas),
embora tantas se calem
(talvez porque recusadas)
mesmo que muitas se percam
depois de perdido o poiso,
- nenhuma ponte de amor
se estende jamais em vão.

Pois algo sempre perdura
de tudo que a ela deu rumo:
seja um resto de recado,
leve lembrança de alvura,
ou seja apenas a sombra
de uma ternura.Pois algo
das pontes- feitas de infancia
e de amor sempre perdura.

Como,contra o sol. o voo
de um pássaro cuja sombra
se projecta e vai cavando,
bem de suave,um rasto eterno,
no manso verde do amor.

Thiago de Mello (adaptado)

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Em Salónica conheço alguém que me lê.
E em Bad Nauhein.
Já são dois.
(Gunter Eich)


De pequenos e doces gestos,de pequenos e repetidos rituais é assim iniciado o novo dia.
E todos os dias,ao abrir a janela do quarto,a vida entra por ela.Em tons de verde esperança.Verde vivo e brilhante,em alguns dias,verde cinza e baço,noutros dias.Mas é sempre vida à espera de ser vivida.E assim,com os ramos da minha árvore,começo o dia.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Caiu a noite.O ceu da ilha de sonho de encantos de lendas e de festa encheu-se de estrelas que prometem outros dias de risos e brincadeiras.Amanha,havera mais tempo para saborear a alegria dos encontros e das brincadeiras e partilharmos a festa que e o nascer para mais um novo dia de vida.

Para o Tomás

Meditação no reino do dinossauro azul...

Amanheceu para todos
para as árvores da rua,
para o mar visto das janelas abertas,
para o homem que passa com cara de sono,
para os pássaros namorando nas árvores do jardim,
para a mulher que abre a janela e deixa a esperança entrar.

Aqui, além, ali...

a manhã vai derramando a alegria de viver,
vai derramando a vontade de cantar.

A manhã é claridade
e nela está o menino
que me leva pela mão.

Olha! Estou aí!

Ao teu lado.

Além, vês?
Olha quem está...

Um dinossauro azul!!!

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Prefácio a um novo blogue: "ANTIGONA BLUES"

De Antigona A. ( A. de antiga, clássica, filha de Atenas....) a ...Antigona B. ( B. de "blues" .... ) vão imensas distâncias : a distância do tempo, a distância do lugar, a distância do "discurso", a distância do "espírito":

Antigona A. é a Antigona que afronta os deuses e as leis injustas dos homens _ um clássico imortal que, da antiga Grécia, ficou para sempre, no passado, no presente e no futuro _ esta é a Antigona que, "avant la lettre", antecipou o Camus do "Mito de Sísifo";

Antigona B. , é uma versão "moderna" (?) , "post-moderna" (?) , "contemporânea" (? de quem?, de quê? que "blues"?

Da Grécia ao jazz, de tudo um pouco passará por este blogue, que será também um "blogue secreto", com várias "marcas d'água" ... Mas, sempre do lado de Antigona...umas vezes "Antigona A.", outras vezes "Antigona B."...

Humilde prefaciador deste blogue, evoco François Villon e, com as suas palavras emprestadas , envio a minha fraternal saudação aos "meus irmãos humanos " que, um dia ou outro, passem os olhos pelas palavras e pelas imagens deste "ANTIGONA BLUES" :

Frères humains, qui après nous vivez,N'ayez les coeurs contre nous endurcis,Car, si pitié de nous pauvres avez,Dieu en aura plus tôt de vous mercis.Vous nous voyez ci attachés, cinq, six :Quant à la chair, que trop avons nourrie,Elle est piéça dévorée et pourrie,Et nous, les os, devenons cendre et poudre. De notre mal personne ne s'en rie ;Mais priez Dieu que tous nous veuille absoudre !Se frères vous clamons, pas n'en devezAvoir dédain, quoique fûmes occisPar justice. Toutefois, vous savezQue tous hommes n'ont pas bon sens rassis.Excusez-nous, puisque sommes transis,Envers le fils de la Vierge Marie,Que sa grâce ne soit pour nous tarie,Nous préservant de l'infernale foudre.Nous sommes morts, âme ne nous harie,Mais priez Dieu que tous nous veuille absoudre !La pluie nous a débués et lavés,Et le soleil desséchés et noircis.Pies, corbeaux nous ont les yeux cavés,Et arraché la barbe et les sourcils.Jamais nul temps nous ne sommes assisPuis çà, puis là, comme le vent varie,A son plaisir sans cesser nous charrie,Plus becquetés d'oiseaux que dés à coudre. Ne soyez donc de notre confrérie ;Mais priez Dieu que tous nous veuille absoudre !Prince Jésus, qui sur tous a maistrie,Garde qu'Enfer n'ait de nous seigneurie :A lui n'ayons que faire ne que soudre.Hommes, ici n'a point de moquerie ;Mais priez Dieu que tous nous veuille absoudre !

François VILLON (1431-1489?)